Neollogia
Cogitações e quejandas quimeras 🧙‍♂️
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O canto do cisne do New World

New World

Acompanho o New World desde 2021, desde o comecinho. Ao longo dos meses e anos, sempre me deparei com uma série de problemas nesse jogo. Ele teve um lançamento sem precedentes no mundo dos MMOs, alcançando quase um milhão de jogadores diários, mas logo em seguida os bugs e exploits vieram à tona, causando uma decepção em massa e a evasão de cerca de 90% dos jogadores.

Com o tempo, porém, os desenvolvedores foram mostrando resiliência. Update após update, o jogo foi ganhando substância, polimento e até atraindo novos jogadores ou trazendo de volta os antigos. Tornou-se um jogo de amor e ódio, alvo de muitas críticas e constantes reclamações, mas também querido por sua pequena playerbase remanescente.

Após quatro anos, chegamos à décima temporada com um update que logo se mostrou o melhor de todos, lançando uma expansão do mapa com uma área enorme e de ambientação vampiresca, gótica. Esta novidade agradou tanto que trouxe de volta um monte de gente. As filas quilométricas de login também voltaram como um sinal de que realmente os servidores estão lotando. Eu inclusive, que também voltei para conferir as novidades do jogo, me deparei com filas de 3 mil a 5 mil players.

Quão irônico então é o fato de que, pouco depois de ter lançado esta expansão e revivido o interesse pelo jogo, trazendo de volta muitos jogadores antigos e conquistando alguns novos, a Amazon Games simplesmente anunciou que agora o New World está entrando num estado de encerramento que deve levar alguns meses. Não terá mais updates nem temporadas, ou seja, basicamente estão preparando o desligamento definitivo.

É o canto do cisne. O New World está morrendo no auge, na sua melhor atualização, no momento em que estava causando a melhor impressão na playerbase.

Pois é, parece algo inesperado, mas já sabíamos que iria acontecer cedo ou tarde. Ao longo de quatro anos, o New World não se recuperou da grande queda inicial e foi sobrevivendo com uma frequência modesta de jogadores. Além disso, o modelo de monetização não se mostrou sustentável, então agora a fatura chegou. 

De certa forma, o anúncio do fim não é algo apenas "culpa" do New World em si. Parece até parte de um grande programa de reengenharia interna da Amazon. Ela vem operando diversas demissões, preparando-se para investir mais em automação, em robôs e IA, algo que, convenhamos, não é nenhuma surpresa. É o rumo do mundo nos próximos anos. 

A Amazon vem fazendo mudanças no seu setor de jogos. A marca Prime Gaming foi encerrada e substituída pela Luna, um serviço mais amplo e que inclui streaming de jogos na nuvem. Ao que parece, a Luna pretende investir em games mais casuais e num futuro próximo muitos deles serão totalmente desenvolvidos por IA, sem a necessidade de um studio com uma grande equipe de desenvolvedores humanos.

Por mais que a IA esteja evoluindo rapidamente, acho improvável que seja possível usar a IA para desenvolver jogos robustos como um MMO com gráficos 3D. Não imagino a IA sendo capaz disso nos próximos cinco anos. Daqui a dez anos provavelmente será capaz. E é por isso que os planos a curto prazo da Luna envolvam jogos mais simples e casuais.

Logo, não é o fim apenas para o New World, mas também outro MMO que estava sendo lentamente desenvolvido em paralelo, o Senhor dos Anéis. De certa forma, o New World vinha sendo uma cobaia, um campo de treinamento para os desenvolvedores testarem assets que poderiam depois usar no Senhor dos Anéis. Este poderia ser um New World melhorado, ainda mais com uma lore sólida baseada na obra de Tolkien. Agora, porém, parece que o Senhor dos Anéis também não irá vingar. A Amazon desistiu de investir em MMO.

Naturalmente, estas decisões causaram uma onda de hate na comunidade. Eu mesmo não embarquei nesse trem. De fato entendo o que estão querendo fazer e acho na verdade que a Amazon demorou para perceber que MMO é um nicho complicado e arriscado no mundo dos games.

O fim do New World é emblemático para o fim de uma era de explosão cambriana de MMOs. Nos últimos cinco anos muitos projetos novos apareceram e agora tem MMO demais a caminho. Isto não é sustentável. Não existe público pra tanto jogo desse gênero. Hoje em dia, MMO não chega aos pés de jogos de tiro ou MOBAs ou até mesmo alguns indies.

Na Steam, por exemplo, o Counter Strike segue reinando há anos com o maior número de players diários, passando até de um milhão. O Dota 2 está em segundo lugar, com meio milhão de players diários, seguido de Battlefield 6. Marvel Rivals e o indie Stardew Valley chegam a 90 mil players. 

Os MMOs como Black Desert, Throne and Liberty e New World têm ficado numa média de 10-15 mil players. O New World estes dias até chegou a 40 mil por causa das novidades, mas é só o ciclo se repetindo. Após um mês ou dois deverá voltar a 5-10 mil.

MMO requer muita dedicação e aprendizado e hoje em dia a grande massa de jogadores quer algo mais casual ou mais simples e repetitivo, como jogos baseados em partidas. O público de MMO é bem nichado e não há players suficientes para lotar todos os novos MMOs que estão surgindo. Haverá uma seleção natural nos próximos anos, de modo que não é só o New World que vai acabar.

(29,10,2025)

Palavras-chave:

Amazon

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