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Meu futuro em Pax Dei

Pax Dei

Em fevereiro de 2023 foram abertas vagas para o playtest do jogo, selecionando alguns poucos candidatos. A esta altura o jogo já tinha um Discord ativo e a comunicação com a comunidade desde então sempre foi bem frequente, inclusive com sessões de perguntas e respostas. O primeiro anúncio do jogo veio em março, com trailer no Youtube inclusive. Obviamente ainda estava bastante cru, mas as imagens ingame já mostravam o potencial.

Pax Dei Alfa 1

Em novembro de 2023 foram divulgadas as primeiras imagens do criador de personagens e finalmente foi aberto um teste alfa em larga escala. Foi nessa época que alguns streamers começaram a fazer lives, incluindo o Asmongold, que foi um forte divulgador. Todavia, as gameplays deixavam claro como o jogo ainda precisaria de muito trabalho para ganhar forma e conteúdo.

Diferente de muitos jogos que, após a fase alfa seguem para um ou mais testes beta, em janeiro de 2024 foi anunciado que Pax Dei entraria em early access. Pode-se dizer que o early access é uma forma de teste beta, e penso que é até melhor, pois enquanto o beta geralmente só dura alguns dias, no early access o jogo permanece acessível por meses a fio, o que propicia muito mais tempo para os jogadores testarem e fornecerem feedback.

O problema do early access é que tem muita gente que participa sem ter esta noção de que se trata de um teste, então é uma estratégia arriscada, pois estes jogadores mais afobados se incomodam com os problemas, bugs e limitações, fazendo comentários furiosos e avaliações negativas, sem entender que ainda é um teste e não a forma final do produto.

Sem contar que durante o early access acontecem muitos wipes, o mapa é alterado, casas são deletadas, o progresso dos jogadores é apagado de tempos em tempos. Desde o início isto foi informado, mas sempre tem aqueles que se incomodam com isso. Early access não é para quem quer simplesmente se divertir, é para entusiastas, quem quer ter o gostinho de participar da fundação do jogo. Não à toa, aqueles que compraram os pacotes de early access são chamados de Fundadores e recebem algumas honrarias simbólicas com isto, incluindo itens cosméticos.

Pax Dei Alfa 2

Antes do early access ainda veio um segundo alfa em abril de 2024. Então em 18 de junho de 2024 finalmente abriu o early access e pela primeira vez experimentei o jogo. Durante um mês fiquei jogando diariamente, experimentando principalmente a caça, coleta e crafting, mas, sabendo que ao longo de um ano até o possível lançamento haveria alguns wipes, resolvi ficar mais casual e até dar um tempo, pois eu não queria fazer muito progresso sabendo que tudo seria apagado eventualmente.

O plano seria um ano inteiro de early access e enfim o lançamento da versão 1.0. Ao longo deste ano os desenvolvedores não pararam de refinar o jogo, apesar de parte da comunidade, a parte tóxica e ignorante, seguir criticando, dizendo que os devs não faziam nada, que o jogo continuava o mesmo, etc.

Ora, basta ver todo o arquivo de notícias no site do Pax Dei ou na página da Steam ou no Discord. Ao longo dos meses houve uma contínua e detalhada prestação de contas de todas as melhorias, correções de bugs, aprimoramentos gráficos, polimentos diversos, a evolução da UI, dos fundamentos do jogo. 

Além de pequenos updates semana após semana, a cada trimestre mais ou menos foi lançado um grande pacote de novidades, que era chamado de Verso. Tivemos 4 Versos ao longo de um ano.

Em janeiro de 2025, Pax Dei ficou disponível na Epic Store e também no GeForce Now. Em setembro foi lançado o Verso 4, o último grande update antes do lançamento definitivo. Então finalmente tivemos o esperado anúncio do 1.0 a ser lançado em 16 de outubro, com um pré-lançamento no dia 14 para os Fundadores, aqueles que compraram o early access.

No dia 6 de outubro os servidores foram totalmente desligados, permanecendo off-line até ser lançado o 1.0 no dia 14. Além de estar disponível na Steam, Epic Store e GeForce Now, Pax Dei 1.0 também foi lançado no Game Pass, porém apenas para PC.

Foi um lançamento modesto, na verdade. Diferente de alguns novos MMOs que já chegam divulgando uma expectativa de 1 milhão de players (não é mesmo, Chrono Odyssey?), a Mainframe parece saber que Pax Dei não é para grandes massas, é um MMO de um nicho bem específico. Por isto no lançamento só havia 3 shards: Selene (América do Norte), Tyr (Europa), Balder (SEA); e 2 shards específicos para roleplay, o que é recomendado para streamers: Sif (América do Norte) e Demeter (Europa).

Além destes, também foi aberto um shard especial, o Arcadia. Este servirá como um local de teste, sempre acessível para aqueles que gostam de experimentar as novidades. É de se esperar que o shard de teste seja para quem realmente curte participar do desenvolvimento do jogo, fornecendo feedback, mas já prevejo alguns afobados que vão lá só na expectativa de usufruir conteúdos novos e reclamar.

De toda forma, é uma estratégia interessante e ousada que a Mainframe adotou de manter o ambiente de desenvolvimento o mais aberto possível. A cozinha do jogo esteve disponível no early access e agora continuará no shard de teste.

Pois bem, desde o lançamento, venho jogando diariamente e certamente me diverti e permaneci encantado com a beleza daquele mundo, as montanhas e florestas da Unreal Engine 5, com todo seu detalhismo e jogo de luz.

O mundo é bem vasto e belo, porém e basicamente pura natureza. A vida humana está na presença dos players e suas construções, o que é fantástico, pois dia após dia vemos cidades nascendo e crescendo, moldadas pela própria comunidade de players. 

Todavia, não há cidades ou construções nativas do jogo, nem NPCs habitando o mundo, a não ser os mobs de alguns acampamentos e dungeons. Bom, esta é a proposta, não ter mesmo NPCs ou quests, uma gameplay completamente livre e sandbox que pode deixar alguns jogadores sem saber o que fazer. 

Neste aspecto, assemelha-se ao Minecraft. Você decide o que fazer. Então o que há para fazer? Basicamente, há bastante coleta e crafting. Há uma quantidade imensa de recursos coletáveis na natureza, inclusive o corte de lenha e mineração são tarefas bem agradáveis visualmente e nos efeitos sonoros.

O crafting já no estágio inicial possui cerca de 20 estações diferentes, de marcenaria e carpintaria a metalurgia, costura, culinária, alquimia, etc. Para quem gosta de coleta e crafting, este é o jogo. O PvE no momento oferece poucas opções de mobs e dungeons e o PvP ainda está amadurecendo, mas em seu fundamento é bem hardcore, pra quem gosta mesmo dos desafios do PvP.

Vejo o sistema de assinatura como justo. A mensalidade é mais barata do que muitos passes de batalha ou assinaturas em outros MMORPGs e ela é opcional, visando apenas a manutenção do seu pedacinho do terra, seu plot. Acho justo porque o sistema de construção do jogo é realmente bem rico e complexo, sendo a feature mais especial e que requer um banco de dados bem robusto e dinâmico. Como terra é um recurso finito, não dá pra simplesmente deixar essa terra gratuita. Sem contar que o sistema de assinatura evita a formação de cidades fantasma, com várias terras que seriam ocupadas e abandonadas por players casuais caso fosse gratuito.

Até aí estou satisfeito com tudo. Então vem o que para mim é o maior problema: a qualidade de vida. O gerenciamento de recursos é realmente bem trabalhoso e exaustivo. Primeiro, o inventário é minúsculo e quando saímos numa caminhada coletando madeira, minerando, esfolando animais ou coletando ervas, em poucos minutos o inventário está cheio. 

Aí vem o outro problema: locomoção. O mapa é enorme e as opções de teleporte são apenas para as chamadas petra dei que ficam distribuídas pelo mapa. Mesmo usando estes teleportes, ainda é preciso caminhar e correr muito para realizar qualquer atividade. O simples ato de coletar recursos e voltar para casa a fim de esvaziar a bolsa é exaustivo.

E quando vamos para o crafting, vem outro problema: o crafting só funciona com os recursos que estão em seu inventário, de modo que cada vez que você vai trabalhar em uma estação precisa vasculhar os baús e colocar os materiais específicos no inventário do personagem. O gerenciamento de materiais nos baús acaba tomando um tempo considerável. É, para mim, a experiência mais frustrante do jogo.

No mais, o jogo se mostra bem polido no lançamento. Não me deparei com nenhum bug realmente grave. No Windows está bem otimizado, levando em conta que é Unreal Engine 5; já no Linux, nas vezes que tentei jogar sempre deu erro de memória cheia após uns poucos minutos. Já ouvi falar que o gerenciamento de memória da GPU no Linux é péssimo em jogos com UE5.

O jogo é certamente promissor e do tipo que poderá formar uma comunidade bem apaixonada, especialmente quem gosta de brincar de construção. Agora é só uma questão de tempo para que ele ganhe mais substância ao longo de futuros updates. Espero também que melhorem a qualidade de vida, conforme já mencionei, pois o gerenciamento de inventário e baús é realmente uma dor.

Confesso, porém, que já não estou tão empolgado. Em boa parte por causa destes problemas de qualidade de vida. A experiência de sair para coletar recursos em um mapa tão imenso e ter que voltar para casa em poucos minutos para esvaziar o pequeno inventário é um balde de água fria na diversão. E o armazenamento dos baús, como já falei, quão desanimador aquilo é. 

Não descarto a possibilidade de minha era com MMORPGs estar terminando. Já não gosto de passar tanto tempo grindando quanto antigamente e prefiro ser mais casual. Eu gosto da ideia de ter um jogo pra vida, algo que continuar frequentando por meses e anos. Inclusive completei um ano no Throne and Liberty e foi um ano inteiro jogando relativamente casual, mas com constância. Completei todos os passes de batalha e já acumulei várias conquistas, mas mesmo no TL, que tem uma qualidade de vida bem melhor que o Pax Dei, também estou começando a cansar de todo dia fazer as mesmas tarefas.

Foi bom voltar ao jogo no lançamento, mas não quero me desgastar com os incômodos que já mencionei. E de certa forma a maneira como a qualidade de vida neste jogo funciona parece que não irá mudar muito, pois ele é projetado para ser assim mesmo, mais difícil, principalmente quando se joga solo. É um jogo que facilita as tarefas quando elas são compartilhadas. 

Dito isto, creio que darei mais um tempo ao Pax Dei. Devo continuar acompanhando as notícias, as novidades a serem lançadas. Mas esta questão do inventário e dos baús se tornou essencial para mim e creio que somente uma mudança nesse sistema me fará voltar a jogar com empolgação. Ou talvez eu chegue à conclusão que MMORPG já deu pra mim.

Será isso? Inclusive venho pensando em desapegar do Throne and Liberty também. O jogo é ótimo e tem constantes updates, fica cada vez melhor. Mas MMORPG é o tipo de jogo que sempre chega naquele ponto em que você está apenas repetindo tarefas por hábito e por criar um certo comprometimento baseado em FOMO, no receio de perder as novidades, de ficar desatualizado se parar de jogar por um tempo.

Esse senso de comprometimento acaba justamente quando a gente dá um tempo no jogo e começa a perder as novidades. Aconteceu com o Runescape há alguns anos, de modo que fiquei "livre" daquele "compromisso". Eu gostava de acumular os lvl 99 de Runescape, até que com o tempo fiquei satisfeito com o que já havia conseguido e não me interessava mais em ir adiante, ainda que haja e sempre haverá muito o que fazer naquele jogo que é imenso em conteúdo.

Aconteceu depois com o New World. Estes dias até voltei pra conferir a décima temporada, que veio com um marketing forte e de fato muito conteúdo novo. Até criei um personagem novo pra ver como está a história principal após tantas reformulações. Então veio o lançamento do Pax Dei e deixei pra lá essa pequena aventura de retorno ao New World. O fato é que eu não voltaria mesmo a jogar com o mesmo comprometimento de antes.

E agora o Throne and Liberty será o próximo MMO que vou aposentar e desapegar. Quando ao Pax Dei, parece que já estou aposentando sem nem mesmo chegar ao auge do comprometimento. Talvez seja isso mesmo. Estou enfim deixando o mundo dos MMORPGs. Não posso garantir, obviamente, que é para sempre. Futuramente posso entrar numa nova fase de interesse pelo gênero. 

A verdade é que, uma semana após o lançamento, o Pax Dei se mostra numa situação preocupante. O jogo só conseguiu no máximo uns 3 mil ou 4 mil players diários. Poucas pessoas estão fazendo streaming, pouco se fala. Continua sendo um jogo obscuro mesmo na comunidade de MMORPGs. Poucos o conhecem e, entre os que conhecem, poucos se mostraram interessados.

Pra piorar tem esse sistema de monetização arcaico que hoje em dia poucas pessoas estão dispostas a aceitar. Pagar mensalidade para manter sua casinha intacta é algo que não agrada. Existe uma pequena comunidade que é apaixonada pelo jogo e disposta a investir dinheiro nisso, mas são poucos. Há algumas guildas que têm investido em comprar vários terrenos para construir uma cidade inteira, o que é uma ideia legal, mas por quanto tempo essa empolgação vai durar? Para esta cidade continuar de pé, terão de permanecer pagando as mensalidades de todos os plots por meses e anos. Parece improvável isso funcionar a longo prazo.

Levando tudo isso em conta, receio pelo Pax Dei. Será que conseguirão manter uma playerbase mínima capaz de bancar o projeto?  Se continuar com essa quantidade limitada de players, não parece que seja financeiramente viável para os desenvolvedores.

Bom, uma reviravolta é possível. O New World várias vezes chegou ao ponto em que tinha 5 mil players diários, mas update após update foi melhorando e conquistando novos jogadores, bem como atraindo de volta os antigos. Hoje em dia, com o update da décima temporada, está passando de 40 mil players diários. 

Pax Dei pode seguir o mesmo caminho, mas mesmo que consiga se tornar um jogo atraente com seu conteúdo, ainda permanece o problema da mensalidade. Enfim, seria uma pena ver este projeto morrer, mas confesso que na condição atual me parece bem provável.

(19,10,2025; 23,10,2025)

Palavras-chave:

Mainframe Industries, MMORPG, Pax Dei

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