Liga da Justiça, o fim da "trilogia Superman"
O universo cinematográfico da DC está ainda engatinhando se comparado ao da Marvel que já tem dez anos, uma multidão de filmes, e está inclusive no final de sua grande saga, com a Guerra Infinita. Somente em 2013, depois que a Marvel já tinha lançado os Vingadores, é que a DC inaugurou o seu projeto visando a Liga da Justiça, com o primeiro filme do Superman.
A partir daí, a expectativa era que com o passar dos anos surgisse uma trilogia do Superman, bem como do Batman, da Mulher Maravilha, etc. Isto ainda deve acontecer, mas é interessante notar uma característica dos filmes dirigidos pelo Zack Snyder desde então: todos eles têm o Superman como principal atração.
Zack Snyder é um fã assumido do Super e de fato dedicou a ele os seus três filmes, a saber: Man of Steel (2013), Batman v Superman (2016) e Justice League (2017). Então, vendo desta forma, este conjunto bem que monta uma trilogia Superman.
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| Man of Steel (2013), o Superman 1: sua origem. |
Em Man of Steel temos a origem do kryptoniano. Uma origem muito bem contada, eu diria, e esse filme é o melhor dos três, feito com capricho, desenvolve uma rica mitologia do personagem desde seu nascimento até o crescimento na Terra, criado como humano. E por fim enfrenta sua primeira grande ameaça na figura do General Zod.
A batalha contra Zod causou danos enormes a Metrópolis e isso é perfeitamente compreensível. Zod era um psicopata com altíssimas habilidades militares que acabara de desenvolver poderes cósmicos e pouco se lixava para os humanos; o Superman, por mais que fosse poderoso, ainda era imaturo, nunca teve um desafio como Zod, uma força implacável e impiedosa. Então ele simplesmente não conseguiu administrar a luta e ao mesmo tempo evitar danos colaterais. Foi um erro de principiante.
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| Batman v Superman (2016), o Superman 2: sua morte. |
Este erro da sua juventude lhe custou o ódio da humanidade, incluindo o Batman (e alguns fãs), e assim temos a base para a história que vem no segundo filme, Batman v Superman. Seguindo sua jornada do herói, agora o Superman enfrenta a rejeição, a desconfiança, a resistência de um justiceiro e a redenção, quando morre enfrentando o Doomsday.
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| Justice League (2017), o Superman 3: sua ressurreição. |
Por fim, no terceiro filme, Justice League, o Superman já está redimido, foi purificado pelo seu sacrifício e voltaria dos mortos para provar que agora ele alcançou outro nível. Ele realmente volta mais poderoso e habilidoso. Não é o jovem imaturo de Man of Steel, tanto que em meio à luta contra o Lobo da Estepe ele se preocupa com os civis nas proximidades e prioriza salvá-los. E o próprio Batman faz questão de ressuscitá-lo porque compreende que ele é tão bem intencionado quanto poderoso e necessário.
Claro que não podia deixar de ter um conflito básico, um quebra pau entre os super heróis, então teve aquele lance do Super acordar confuso e trocar uns socos com a turma da Liga até ser amansado pela Lois Lane que tem sempre esse papel de âncora emocional do Clark Kent. E essa breve luta foi inclusive mais interessante do que a luta contra o vilão. O Lobo da Estepe, por mais forte que fosse, não chamou lá muita atenção, sem contar que, por ser feito com computação gráfica, ficou meio parecido com personagem de video game. E convenhamos, hoje em dia o CGI não é mais desculpa para um personagem ficar tosco em produções caras (ou mesmo nas baratas). Tá aí o Thanos de exemplo.
Na luta do Super contra a Liga é que percebemos como ele voltou ainda mais poderoso. Os disparos do Cyborg só fizeram cócegas, a velocidade do Flash de nada adiantou, porque ele é tão veloz quanto, o Aquaman nem deu pro gasto e a Mulher Maravilha, a mais forte do grupo, ninguém menos que uma deusa, tomou uma surra do Super. O Batman, coitado, foi amassado e jogado no chão como um boneco de pano.
Enfim, a treta da Liga contra o Lobo da Estepe só se resolve quando o Superman volta e recobra o juízo. Ele é o deus ex machina, a solução milagrosa do problema. E assim temos a conclusão de uma trilogia que mostra o nascimento, morte e glorificação do Superman. Este filme também conclui a "trilogia Zack Snyder", já que o diretor não vai mais liderar o projeto da Liga da Justiça no cinema.
(04,01,2019)
Man of Steel, o Superman versão Zack Snyder
O chamado Universo Marvel Cinematográfico teve início em 2008 com o primeiro filme do Iron Man. Diferente dos filmes de super heróis produzidos até então, o objetivo desse projeto era desenvolver um verdadeiro universo com filmes inter-relacionados, basicamente seguindo o modelo de histórias com personagens solo (Iron Man, Hulk, Thor, Capitão América, etc.) que preparam o caminho para uma saga maior reunindo vários personagens (Os Vingadores).
Este modelo fez muito sucesso, se tornando uma franquia bilionária. Em 2013 foi a vez da DC tomar a mesma iniciativa com o Universo DC Cinematográfico e em Man of Steel está o início¹. Em seguida viria um filme reunindo Superman e Batman, depois o Esquadrão Suicida, a Mulher Maravilha e, por fim, o primeiro filme da Liga da Justiça, em 2017.
O principal diretor neste empreendimento foi Zack Snyder, um diretor que tem um estilo sombrio e com experiência em filmes de guerra e terror, como 300 (2006) e Dawn of the Dead (2004). Também trabalhou no obscuro Watchmen (2009), um filme de super heróis com uma abordagem pessimista e crítica.
Em Man of Steel, Zack Snyder não tem medo de caprichar na violência e produz o filme do Superman com mais morte e destruição que já se fez. A invasão alienígena do General Zod se torna um evento realmente perigoso, reduzindo o cenário de Metrópolis a escombros e a luta do Super com Zod mostra bem o nível de poder de ambos, literalmente arrasando quarteirões enquanto trocam socos.
Mas além de toda ação e uma batalha épica (com direito a uma épica trilha do Hans Zimmer), Man of Steel desenvolve uma nova mitologia do Superman. A história de Krypton é recriada, mostrando uma civilização avançada, baseada em controle genético, mas em crise de recursos. O clássico “S” do Superman ganha um significado especial, sendo um ideograma para a palavra “esperança” no idioma de Krypton, uma espécie de brasão da família de Kal-El.
Man of Steel é um daqueles filmes que dividem opiniões. Alguns críticos odiaram e não viram sentido na destruição de Metrópoles. Outros gostaram da ideia, pois mostra como seres superpoderosos podem ser realmente destrutivos e devem ser levados a sério. Também a complexa mitologia criada para a origem do Superman é digna de atenção.
Um problema em especial é o gosto do Zack Snyder por filtros escuros, algo que está em seu DNA como diretor desde o início de sua carreira em Dawn of the Dead (2004). Ora, uma ambientação escurecida faz sentido em filmes de zumbis, mas com super heróis, ainda mais um arauto da esperança como o Superman, era de se esperar mais cores. Até seu uniforme azul ficou bem escuro, quase um Batman.
Essa primeira tentativa de construir um DCU até agora não deu muito certo, mas de certa forma o Superman teve sua trilogia sob o comando de Zack Snyder, com Man of Steel, Batman Versus Superman e Justice League.
(31,05,2019)
Os inimigos do Superman: seus pais
Eu estava lembrando do Man of Steel (2013) e na primeira hora é um filmão. A cena em Krypton, principalmente, é fantástica. Construíram todo um mundo alienígena que por si só poderia render outro filme como uma prequel da origem do Superman. A última parte, com a batalha contra Zod, também é épica. O que estragou a história foi aquele papo estranho do pai de Clark sobre esconder os poderes.
Não que os pais de Clark de fato sejam um erro. Ao contrário, foram eles que deram carinho e uma educação sobre moral e tudo mais, contribuindo para que ele se tornasse um herói. Mas nos filmes a forma como os pais dele foram usados na trama é muito estranha e forçada.
Primeiro tem esse negócio do Jonathan Kent aceitar morrer no furacão na frente do Clark só pra que um grupo de caipiras da vizinhança não visse os poderes dele. Qualé, cara. Vai traumatizar o filho e a esposa e renunciar à própria vida em nome da discrição? Além disso, o Clark não faria nada muito sobre-humano. Bastava ele correr, colocar o pai nas costas e sair daquela ventania. Enfim, foi estranho e forçado.
Aí depois no Batman v Superman (2016) veio aquele negócio do Batman mudar totalmente de atitude em relação ao Super simplesmente porque as mães de ambos se chamam Martha. E mais uma vez a seriedade da trama foi galhofada por causa dos pais do Clark.
(12,09,2019)
A lança de kryptonita, a Chekhov's gun de Batman v Superman
Ai estes dias revi Batman v Superman (2016), agora na versão estendida de 3 horas. Não é tãão diferente da primeira versão. Basicamente a narrativa ficou menos corrida, desenvolvendo cada evento de forma mais detalhista. Então percebi o que de fato parece ser o maior furo de roteiro: a lança de kryptonita.
A lança de kryptonita é a arma mais legal do Batman em todo o snyderverso. O problema é como tentaram transformá-la numa Chekhov's gun, ou seja, um item que tem uma importância chave na trama. Seu papel faz sentido, o problema foi apenas a forma apressada como isto ficou estabelecido.
O Superman viu o nascimento do Doomsday e com seu poder de percepção é compreensível que ele de cara tenha entendido que Doomsday era algum tipo de criatura kryptoniana e que, portanto, seria vulnerável a kryptonita. Até aí, só o Superman poderia saber disso.
Então começa o quebra pau, o Batman entra na briga e do nada ele já sabe que o bicho é kryptoniano e, por isso, viaja até Gotham, com o Doomsday atrás dele, a fim de pegar a lança. Ao mesmo tempo a Lois, que caiu de paraquedas nessa treta, também já começa a procurar a lança, sendo que ela mal viu o Doomsday e não podia saber que ele era kryptoniano ou vulnerável à kryptonita.
A ideia de que a lança poderia matar o Doomsday era totalmente especulativa. Ninguém sabia de fato que tipo de criatura ele era e quais suas fraquezas, mas assim do nada todos chegaram a essa mesma conclusão de que a lança era a solução.
O outro problema foi o fato do Superman ter se sacrificado ao empunhar a lança que o enfraquecia, mesmo vendo que ele tinha a Wonder Woman à sua disposição. Ele podia muito bem ter jogado a lança para ela usar, enquanto ele agarrava o Doomsday. Faria bastante sentido, já que Diana é a personagem mais habituada a empunhar lanças e espadas.
Imagina que foda seria a cena do Superman dando um mata-leão no Doomsday e a Wonder Woman saltando com a lança no coração do bicho. Ou podia ser o Batman também, enquanto a Diana continuava segurando o bicho com o laço. O personagem menos adequado a usar a lança era o Superman.
Mas ok, esta parte dá pra relevar devido à urgência do momento e ao fato do Superman do snyderverso ser mesmo um cara sem muita habilidade estratégica, como ficou provado na luta desastrosa contra o Zod.
Quanto à questão da utilidade da lança, só tem um personagem que realmente poderia saber que o Doomsday era vulnerável à kryptonita: o Lex Luthor. Esse furo de roteiro seria resolvido se, por algum motivo, o Luthor conseguisse passar a informação para os outros.
Tipo, vendo que o bicho saiu do controle e que ele próprio está em risco, num momento de desespero o Luthor poderia soltar esta dica sobre a vulnerabilidade à kryptonita. Ao encontrar o Batman, o Superman poderia falar da lança e talvez até o Alfred, sabendo lá pelos seus computadores que a Lois estava perto do local onda ficou a lança, ele poderia ligar pra ela avisando, mandar um zap, sei lá. Enfim, a trama ficaria melhor amarrada se esse lance da lança tivesse uns poucos minutos de explicação.
(30,12,2021)
Notas:
1: É bom notar que a nova fase da DC no cinema na verdade começou em 2005 com o Batman do Christopher Nolan. Ele produziu uma trilogia com um tom "sombrio e realista" que se tornaria um modelo para o futuro DCU. Man of Steel, inclusive, foi roteirizado pelo próprio Nolan, mas então a direção ficou a cargo de Snyder que assumiu o novo projeto, de modo que também um novo Batman foi criado, tornando o Batman do Nolan uma versão de outro universo diferente do snyderverso.
Palavras-chave:
Christopher Nolan, DC Comics, Hans Zimmer, Warner, Zack Snyder
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